DOR NA ALMA!
domingo, janeiro 10, 2016
Olá meninas e meninos,
Hoje trago-vos um texto que escrevi depois de um dia de
voluntariado na Missão Patas Felizes.
“Ontem foi um dia difícil, emocional e cansativo!
Ontem revolvei-me contra todos os que abandonam, que
maltratam e que ficam impunes! Porque a culpa é deles, e de alguns que permitem
que continuem, porque “quem cala consente”! O número de animais abandonados é
gigantesco, mas não pensem que se abandonam animais por dinheiro, não… as únicas
causas são a falta de princípios e respeito pelo próximo!
Ontem reforcei o meu apreço pelos voluntários e tratadores
de Abrigos de Animais por este mundo fora. Não é fácil! Não é fácil limpar as
boxes com chuva, lama e sol forte, não é fácil carregar mangueiras, carrinhos
de areia e brita para melhorar as boxes, não é fácil carregar sacas de comida,
não é fácil lavar e secar cobertores, não é fácil ver tantos focinhos molhados
e tantos narizes curiosos em busca de um mimo, e sem tempo para todos. Estas
pessoas são heróis, eles sim são os verdadeiros heróis! Os voluntários que
ajudam diariamente tem vida como eu e vocês, tem famílias, tem amigos, tem
camas quentinhas, mas todos os dias, ou todas as semanas se levantam das suas
caminhas, deixam as suas famílias e trabalham 4h, 10h, 12h, ou quanto tempo
conseguirem… Fazem o que podem e o que não podem para tornar a vida de todos os
patudos melhor, nem que seja só comida, e um local para dormir, e para mim são heróis!!!
Ontem senti-me pequenina, senti-me envergonha por não
conseguir ajudar mais, senti que podia cortar ali e aqui e fazer mais. Senti-me
impotente! Desejei para todos os animais abandonados uma família responsável,
uma refeição, amor e claro uma casa! Percebi também que não basta “partilhar”
(claro que as partilhas são importantes, mas nem sempre chegam), que não basta
que os outros ajudem por nós. Percebi que todos podemos ajudar, seja adoptando,
seja monetariamente, seja com tempo, seja de que maneira vos parecer melhor,
mas que não podemos ficar indiferentes, não podemos olhar para o lado e continuar…
Porque eles continuam lá, desamparados, com fome, frio, molhados e doentes.
Ontem conheci um patudinho que não quis sair da sua boxe
enquanto a tentávamos limpar, ele e alguns dos seus irmãos vivem no abrigo
desde bebés, por isso, só conhece a realidade de uma boxe, e mesmo com fome
não a quis deixar. Aqueles poucos m2 são a vida dele, e nem duas vezes por dia
quer ser “livre”.
Hoje sinto tudo isto e muito mais…. sinto uma dor na alma!”
XOXO

